segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O que a Literatura é capaz de despertar nos jovens?


Hoje em minha aula de Literatura coloquei-me a pensar em como podemos nos envolver entrando nos contextos literários mais cultos que enriquecem nosso saber.
Enquanto minha professora explicava sua matéria, eu me encontrava em plena sensação de aconchego me envolvendo de tal modo com meus pensamentos que cheguei a pensar que ideias transbordariam de minha cabeça.  
Sentia-me em pleno êxtase mental, pois quando nos aprofundamos em certas frases, textos e poemas nossos pés criam asas, não simples asas como as dos pássaros são, mas asas que nos fazem ultrapassar as barreiras do universo, nos transportando para um mundo no qual podemos mandar e desmandar. Esse mundo tem o nome de "imaginação" e quando começamos a relatá-lo em qualquer superfície escrevível, não são só simples rabiscos, mas as mais exuberantes obras que saem deste mundo, onde sonhadores expressam escrevendo o que não conseguem se expressar falando.
Quando nos expressamos das mais profundas lacunas de nossas almas não é como uma simples ideia que surge repentinamente e do mesmo modo que surge se esvaece, são palavras que soam em nossos ouvidos como as mais belas e inigualáveis melodias já compostas e que exprimem resumidamente nossos sentimentos, os quais já mais irão desaparecer, sempre estarão presentes mesmo que de modo impercepto, mas sempre guardados no coração.
                                                                                              André Luis Terra Lima 1ºC.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PROJETO SENSAÇÕES LITERÁRIAS 2


A Literatura em vídeo
Dando sequência aos meus planos “maquiavélicos” de mostrar aos meus alunos que a Literatura é interessante desafiei meus alunos do 3º ano do ensino médio a transformarem obras do Romantismo brasileiro em curta-metragens. O resultado foi surpreendente, 10 vídeos super criativos, que foram produzidos a partir de leituras, pesquisas, redação de roteiros, elaboração de figurino e planejamento de cenário.

Caros alunos, estou satisfeita com a resposta que vocês deram a minha proposta. Saibam que além de conhecer muito bem obras clássicas da nossa Literatura, vocês desenvolveram e trabalharam habilidades que serão muito úteis às suas vidas profissionais e pessoais. Não tenho dúvidas que a cada dia vocês estão ficando mais preparados para encarar uma entrevista de emprego, expor suas opiniões, interpretar o dia a dia e confiantes em suas próprias capacidades. PARABÉNS, VOCÊS BRILHARAM!

Quer assistir aos curta-metragens 2011?


A manhã do "Oscar" aconteceu dia 04 de agosto com apresentação dos curta-metragens produzidos pelos alunos e seguida de seção de cinema com o maravilhoso filme Sociedade dos Poetas Mortos.


Confira os vencedores do Oscar 2011:
Categoria Melhor Edição:
A Moreninha
Categoria Melhor Cenário:
Iracema
Categoria Melhor Atuação:
Gustavo

Categoria Melhor Roteiro:
Encarnação e Iracema

Categoria Melhor Figurino:
Senhora
Avaliação dos alunos

 
"Aprendi que a literatura pode ser uma forma legal de atrair os jovens. Esses trabalhos mostram que ler pode ser divertido."
Jaqueline Apª de Ávila 3ºB

"Aprendi mais sobre a história de vários livros, inclusive o meu que era Senhora e também me diverti com os filmes que ficaram bem engraçados e bem feitos"
Ana Cláudia Oliveira 3ºC

"Trabalho em equipe é muito importante"
Kamila Lima 3ºB

"O conhecimento literário é muito importante, assim como o trabalho em equipe, expressar e liderar"
Sttela Pereira Silva 3ºC

"Aprendi a me expressar melhor e atuar."
Michele 3ºC

"Eu aprendi muita coisa boa. Só assim sabemos do que somos capazes. Nascemos para isso."
Ana Paula dos Reis Silva 3ºB

"Aprendi que não devemos ter vergonha e que podemos superar qualquer coisa, até a nossa timidez."
Michael Batista da Silva 3ºB

"Aprendi que é importante trabalhar em equipe e um ajudar o outro."
Jhonatan Navais 3ºB

"Aprendi que não devemos ter vergonha e podemos vencer até nossa timidez."
Elisa Mara S. Reis 3ºB

"Aprendi que devemos deixar a timidez de lado e que ler é muito divertido. Somos artistas."
Ana Mara de Oliveira Silva 3ºB

"Editar vídeo dá muito trabalho."
Weber Carlos de Lima 3ºC

"Conheci várias histórias clássicas da Literatura Brasileira, isso é muito importante."
Milena Martins de Ávila 3ºC

"Apesar do trabalho que dá para fazer nós aprendemos que dá para divertir lendo. Nascemos para ser atores."
Luana Silva 3ºB

"Aprendi que é muito importante trabalhar em grupo."
Jefferson O Silva 3ºB

"Trabalhar em equipe é muito importante."
Althieres Wellington 3ºB

"Aprendemos que devemos trabalhar em grupo."
Gustavo Pacini 3ºC

"Para ter um bom trabalho tem de haver um bom desempenho da equipe toda."
Igor Fernando dos Santos 3ºC

"Muito legal"
Lucas João Batista 3ºB

"Aprendi a ter mais união, por que com união as coisas dão mais certo."
Taynara Helena Campos 3ºB

"Aprendi a viver com os colegas, perder a timidez e  que todos são capazes de interpretar."
Jéssica 3ºB

"Aprendi que as pessoas aprendem novas coisas a partir da leitura."
Ana Paula Cabral 3ºB

"Aprendi que é importante saber trabalhar em equipe."
Lucas Amaral 3ºC

"Quando temos um objetivo devemos correr atrás dele, apesar de tudo conspirar contra você, foi o caso de Cirino e Inocência."
Priscila Domingues 3ºC

"Aprendi sobre épocas, costumes e roupas totalmente diferentes da nossa. Até a cultura indígena.
Ana Cristina Cabral 3ºB

"Aprendi a ver os livros clássicos de uma maneira diferente."
Priscila Oliveira Paccini 3ºC

"Basta querermos e vamos conseguir."
Glaciele Apª da Silva 3ºC

"Aprendi como trabalhar melhor em grupo e acredito que todos nós conseguimos entender melhor um pouco de cada livro."
Isabela Apª 3ºC

"Aprendi a trabalhar em grupo. Houve muita cooperação de integrantes de outros grupos, que foram solidários e nos ajudaram de várias formas."
Ayla Inês Ávila Mendonça 3ºC

"Sempre podemos alcançar o desejado, basta lutar com determinação e força de vontade."
Josiele Araújo 3ºC

"Que todos somos capazes."
Vanessa Santos 3ºC

"Que quando um casal se ama, deve ir em frente para  conquistar seu amor."
Marielle Andrade 3ºC

"Aprendi que devemos trabalhar em grupo."
Filipe Michel Alves Caetano 3ºC

"A superar desafios, principalmente a timidez. Também reconheci a solidariedade das pessoas que nos ajudaram na realização do trabalho."
Amanda Aparecida O Silva 3ºC

"Aprendi a trabalhar em grupo, formatar e editar vídeos."
Aélcio 3ºB

"Aprendi a trabalhar em equipe, trabalhar com uma época, estilo bem diferentes. Com isso acabamos nos tornando mais cultos."
Jaqueline C. 3ºB

"Aprendi a interagir com os colegas do grupo, a me expressar e me sentir mais à vontade diante dos outros que irão ver o trabalho apresentado."
Cristiane de Fátima Luiz 3ºC



PROJETO NA ÍNTEGRA:

PROJETO SENSAÇÕES LITERÁRIAS 2
A Literatura em vídeo

1.IDENTIFICAÇÃO:

PROFESSOR RESPONSÁVEL: Fabiana de Oliveira Ribeiro

DISCIPLINA: Língua Portuguesa

TÍTULO: SENSAÇÕES LITERÁRIAS 2 - A Literatura em vídeo

DURAÇÃO:  de 04 de maio a 04 de julho

LOCALIZAÇÃO: Escola E. Bolívar Boanerges da Silveira, Alterosa, MG

EXECUÇÃO: Professora Fabiana de Oliveira Ribeiro e alunos dos  3ºs anos “B” e “C”

APOIO: Bibliotecárias, pedagoga Catarina

PÚBLICO ALVO: alunos dos 3 ºs anos “B”, “C”

PROBLEMATIZAÇÃO: Desinteresse pela leitura, especialmente dos clássicos da literatura nacional e inibição, medo de expressar-se principalmente em público, o que compromete o exercício da cidadania.

2-JUSTIFICATIVA:

De acordo com as sugestões complementares de trabalho dos Conteúdos Básicos Comuns de Língua Portuguesa, a oralidade é um componente de ensino igualmente importante aos demais. Prevê-se, então, a caracterização comparativa da conversação espontânea com o debate, a entrevista oral e a entrevista escrita, a conferência e o artigo escrito, palestras e relatos noticiosos, textos literário-artísticos e declamações, encenações.
A organização de uma unidade temática com os gêneros da conversação espontânea, debate regulado, entrevista televisiva, entrevista escrita e artigo de opinião permitiria trabalhar o discurso interativo no contínuo oral—escrito, transitar entre gêneros privados e públicos, desenvolver práticas de recepção e de produção e selecionar para estudo tópicos gramaticais e estilísticos mais usuais do discurso interativo menos ou mais monitorado.
Tão importante quanto, o uso da tecnologia como instrumento de ensino-aprendizagem é imprescindível à escola da era virtual e devido ao interesse que desperta nos educandos, por que não usar dessa estratégia para atrai-los para o conhecimento? Ao se trabalhar o cinema e fazê-lo, proporciona-se aos alunos uma oficina de saberes e sabores.

3.OBJETIVO GERAL:

Reproduzir e apresentar clássicos da Literatura Brasileira através da linguagem do cinema, expressando as características da sociedade brasileira e da linguagem oral.

4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

•Despertar o interesse e hábito de leitura;
•Desenvolver habilidades de comunicação oral e escrita;
• Desenvolver a capacidade de interpretação e de produção de diferentes gêneros de texto;
• Saber identificar a finalidade de diferentes gêneros de texto;
• Reconhecer as diferenças entre os textos literário e informativo;
• Saber reconhecer e selecionar bons textos, textos de qualidade;
• Desenvolver habilidades de expressão em diversas linguagens;
• Saber avaliar a adequação da linguagem à situação comunicativa;
•Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso;
•Conhecer o conjunto de conhecimentos pragmáticos, discursivos, semânticos e formais envolvidos no uso da língua;
•Compreender o texto literário como lugar de manifestação de ideologias;
•Conhecer temas e motivos recorrentes na Literatura Brasileira;
•Assumir uma postura crítica frente a posicionamentos enunciativos dos textos literários;
•Caracterizar formas de composição de textos literários de diferentes épocas;
•Conhecer a obra de autores representativos da literatura brasileira do passado e da atualidade;
•Conhecer concepções de autor e de fazer literário do passado e da atualidade;
•Reconhecer o caráter metalingüístico dos textos literários que falam sobre o poeta e seu fazer artístico;
•Relacionar diferentes concepções de autor e de fazer literário a diferentes contextos históricos e literários;
•Conhecer formas de representação da vida social e política na literatura brasileira do passado e da atualidade;
•Relacionar diferentes abordagens da vida social e política brasileira a diferentes contextos históricos e literários;
•Relacionar diferentes formas de representação e concepções do amor e da mulher, dos índios e negros a diferentes contextos históricos e literários;
•Reconhecer na perpetuação de determinados discursos sobre o amor e/ou a mulher, índios e negros o apagamento de outras vozes;
•Reconhecer, em textos apresentados, conflitos e formas de resistência do feminino e de diferentes etnias da população brasileira (índios, negros.);
•Desenvolver espírito de coletividade;
•Valorizar o convívio social;
•Desenvolver potencialidades criativas;
•Desenvolver habilidades corporais e vocais;
•Ampliar seus conhecimentos corporais e vocais;
•Estimular a imaginação;
•Obedecer a regras;
•Expressar-se através de suas potencialidades corporais e vocais;
•Reproduzir a realidade artisticamente, utilizando-se de materiais diversos inclusive a sucata;
•Mostrar iniciativa;
•Expor suas idéias em grupo;
•Transpor cenicamente imagens literárias, utilizando-se do corpo, voz e ações;
•Interagir em público, em contextos mais ou menos formais, como falante ou como ouvinte;
•Usufruir do gosto estético das produções literárias;
•Relacionar as informações dos textos verbais com outras expressas em outras linguagens;
•Desenvolver  a  competência  de  planejar  o  que  se  vai  escrever,  considerando  a intencionalidade, o interlocutor, o portador e as características do gênero videográfico;
•Desenvolver a competência da escrita e reescrita dos próprios textos (e contribuir com os dos outros), no que se  refere a diversos aspectos do  texto: concisão, coerência, ortografia, etc;
• Desenvolver a competência de planejar uma ação em grupo, envolvendo a comunidade;
• Desenvolver a habilidade de articular recursos para a execução das tarefas previstas;
•Desenvolver competências para ampliar o “olhar” sobre si mesmo e sobre o mundo  em que vive (educar o olhar para diferentes percepções da realidade);
• Desenvolver competências e habilidades para uma leitura crítica das diferentes  mídias existentes;

5. DESENVOLVIMENTO:

1ª Etapa: exposição da proposta de trabalho e sorteio das obras literárias entre os grupos de  alunos;
2ª Etapa: leitura dos livros pelos alunos, pesquisa e montagem de texto no gênero dramático pelos grupos;
3ª Etapa: assistir um filme de qualidade cinematográfica e fazer sua resenha;
4ª Etapa: ensaios, montagem de cenários e figurinos;
5ª Etapa: gravação das encenações sobre as obras literárias;
6ª Etapa: a manhã do “Oscar”  com eleição:
Melhor Edição;
Melhor Cenário;
Melhor Atuação;
Melhor Figurino;
Melhor Roteiro.
Observação: as etapas 2, 4 e 5 foram realizadas fora do horário escolar.

6. CULMINÂNCIA:

Manhã do “Oscar”, momento em que os grupos apresentarão seus curta metragens e serão eleitos os melhores em cada categoria.

7. AVALIAÇÃO:
Os alunos serão avaliados individualmente e em grupo sempre observando seu comprometimento, participação efetiva, colaboração tanto com seu próprio grupo quanto com os demais, criatividade e esforço.


Assista aos curta metragens através: http://fabianadeoliveiraribeiro.bolgspot.com/ 

8. BIBLIOGRAFIA:

KATO, Mary A. O aprendizado da leitura. São Paulo: Martins Fontes, 1985.

MARCONDES, Beatriz, MENEZES, Gilda, THOSHIMITSU, Thais. Como usar outras linguagens na sala de aula. 4.ed. São Paulo: Contexto, 2003. (Como usar na sala de aula).

MARTIN, Marcel. A linguagem cinematográfica. São Paulo: Brasiliense, 1990.

SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS. Conteúdo Básico Comum – Português (2005). Educação Básica - Ensino Médio

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma família inusitada


Todos conhecem bem a rivalidade existente entre cães e gatos, entretanto, temos aqui uma história diferente e inspiradora. Esse cachorrão, com cara de mau, na foto acima é o Pitoco. Ele veio morar em nossa casa há um mês atrás. Estávamos em busca de um cão valente para proteger nosso sítio em Alterosa e que ajudasse no manejo com o gado, então encomendamos o Pitoco, descendente de um bacet e uma pincher.
Estávamos em pleno inverno de junho de 2011, a ausência da mãe e dos irmãos prometia muitas noites de choro, mas foi aí que nos surpreendemos.

Essa outra aí é a Mamãe Bichana, ela tem dois filhotinhos, quando ela conheceu o Pitoco, foi amor à primeira vista, ela o adotou. Deste dia em diante os quatro passaram a dormir juntos e logo o Pitoco relembrou o sabor do leite materno, passou a mamar na gata.


O espírito maternal falou mais alto que a rivalidade entre as espécies, talvez no futuro o cachorro possa vir a morder a gata ou apresentar-se uma ameaça para seus filhotes, mas eles se ajudam mesmo assim. Eles dormem, comem, tomam sol, brincam, vivem juntos. Os dois gatinhos nem ficaram enciumados em dividir a mãe com um intruso. Nessa relação não há preconceitos, não há disputas e embora as diferenças entre eles sejam grandes e históricas eles preferem manter o olhar na necessidade que um tem do outro e convivem em paz.
Diante disso nos perguntamos, será o humano um animal verdadeiramente racional? Nós deveríamos desenvolver mais nosso instinto de convivência e também mantermos o foco em o quanto o outro é importante para nós. Por mais que tenhamos diferenças, tenho certeza que elas não são maiores do que as existentes entre um cão e um gato, então por que não aprendemos com os animais a vivermos em paz?

Assista aos vídeos e confira

EPTV fazendo matéria sobre essa rara convivência lá em casa, no São Pedro:




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um homem centenário


Joaquim Claro Terra é o nome do homem mais velho de Alterosa, no dia 17 de outubro de 2011 ele completará 100 anos de vida, gozando de uma boa memória e planejando seu próximo século.
Um homem que assistiu às duas Grandes Guerras, lutou e venceu o câncer por três vezes, recuperou-se de uma perna quebrada recentemente e agora deseja começar uma nova vida após seu centésimo aniversário. Viúvo há 16 anos, fala em arrumar uma nova esposa e quem sabe mudar de casa.
Seu Joaquim Neca, como é conhecido, passou 80 anos de sua vida trabalhando no campo, no Bairro Pinhal, município de Alterosa, onde criou seus 15 filhos juntamente com sua esposa Olímpia Tomaz Terra, com quem teve um casamento feliz e chegou a completar bodas de prata, ouro e diamante.

BODAS DE DIAMANTE



TEREZA, SR. JOAQUIM E NETA EUZA
Sr. Joaquim orgulha-se de ser religioso, nunca ter dado mau exemplo para os filhos e de ser querido pelos trabalhadores que empregava em sua fazenda.  Afirma, ainda, que o segredo para sua longevidade está no feijão mexido com torresmo que comeu durante toda a vida, no entanto seu segredo talvez esteja no cumprimento do 5º Mandamento: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra, que o Senhor Deus te dá.” Êxodo 20:12, conforme relata sua 11ª filha, Tereza Tomaz Terra Martins, o Sr. Joaquim sempre foi um bom filho.  Sempre preocupado com os pais e um admirador do pai, Manuel Flávio Terra, sempre os honrou e respeitou, procurando fazer tudo que estava ao seu alcance para cuidar de seus progenitores. Um exemplo aconteceu quando seu pai passou a não conseguir mais cuidar de suas lavouras, então o Sr. Joaquim, que já tinha muito trabalho em suas próprias, passou a cuidar das de seu pai também, e mantinha sempre cheias as tulhas da família, afim de que não faltasse alimento na casa de seus pais.
Hoje seu Joaquim Neca é o único sobrevivente dos seus 14 irmãos, mora na cidade de Alterosa com sua neta Luciane Martins Terra, alimenta-se bem, inclusive pediu peixe para o almoço de hoje. Sua descendência já alcançou o número de 200 membros, entre os quais seis são tetranetos. Seu Joaquim é um guerreiro e campeão, pois chegar aos 100 anos de idade em tempos tão cheios de contratempos é uma maravilhosa vitória, ele é exemplo para todos, principalmente aos jovens, que muitas vezes são seduzidos por tantas ilusões e acabam esquecendo-se de cuidar de sua saúde e de honrar àqueles que lhes deram a oportunidade de viver. Esperamos que ao atentarmos para uma história de vida tão simples e bonita com essa, todos possamos repensar nossas atitudes e vida e valorizarmos aquilo que realmente é significativo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011


Sábado 18 de junho, a Igreja Assembléia de Deus em Alterosa comemorou o centenário da igreja no Brasil com um bonito culto de louvor na praça Benedito Valadares, com presença considerável de irmãos. Em Alterosa, a Igreja foi fundada em 1950, pelo saudoso Pastor José Alves Pereira.
A vida do Pastor “José Ernesto”, como era conhecido, foi marcada pela perseguição sofrida de pessoas que não aceitavam uma nova visão religiosa na cidade, no entanto seu amor ao próximo foi mais forte e aos poucos as pessoas foram sendo atraídas pela paz e testemunho de fé transmitido pelo pastor e foram se encantando com a mensagem de salvação que pregava.
Muitas histórias são contadas pelos membros mais antigos da igreja, como por exemplo, os baldes de água fria que alguns deles jogaram no Pastor José ou na sua esposa quando eles iam em suas casas convidar para os cultos; que as tábuas do assoalho da cadeia tinham manchas de seu sangue, consequências das surras que levava ao ser preso por pregar a Palavra e a mais bonita: quando sua esposa, doente, faleceu e enquanto todos se preparavam para o velório ele orou muito e ela voltou a vida.
Toda essa trajetória de fé implantou uma igreja forte, fiel, cujo principal objetivo tem sido honrar e engrandecer a Deus há várias gerações.
Atualmente a Assembléia de Deus do campo de Alterosa é vinculada a CGADB tendo sob sua responsabilidade 22 Congregações e 33 templos e pontos de pregação, sendo o Pastor Presidente do Campo o Pastor Mário Donizete Alves.
"A presença da Igreja Assembléia de Deus é uma benção de Deus para Alterosa, pois trata-se de um lugar onde Deus tem resgatado vidas das drogas,do alcoolismo,da prostituição e onde milagres inexplicáveis acontecem, refletindo do lado de fora".

Fabiana de Oliveira Ribeiro

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Futebol de casais


Foi muito interessante a primeira aula sobre  SOLIDARIEDADE, que é o tema da disciplna de Língua Portuguesa no Projeto Bulliyng não, paz sim, idealizado pela coordenação da Escola Bolivar Boanerges da Silveira. Os alunos foram instruídos a jogarem futebol em duplas(mãos dadas), em seguida um deles teve os olhos vendados e tiveram de ser orientados pelo colega em tudo, para continuar o jogo. 
A dinâmica sugere a nossa própria vida onde ou somos cuidados ou somos quem cuida e pudemos refletir bastante sobre as dificuldades que os dois lados apresentam e a importância de haver pessoas que ajudam o próximo.
Falando um pouco mais sobre o próximo, houve contação de história, também, sobre a Parábola do bom samaritano. Confesso que foi muito interessante para mim conduzir uma aula que saiu totalmente dos padrões de uma aula normal de Português, para o professor tamb´m é motivante variar, sair da rotina e também fiquei encantada com o comportamento dos alunos diante dessas atividades, pois todos expressaram com naturalidade seu lado humano, valorizaram e enriqueceram  muito o momento de reflexão.
Alunos participantes: 9ºC, 1ºA, 1ºC, 3ºB e 3ºC.
As fotos da aula estão no link abaixo:

ttps://picasaweb.google.com/102247749734725793875/ProfilePhotos?feat=directlink

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Entrevista com Ariano Suassuna com direito à participação de Ruben Alves

 
Jornal Infinita: Ariano, normalmente eventos como a Feira Do Livro de Poços de Caldas acontecem só nas capitais, como a Bienal, por exemplo gostaria de saber como é, para o senhor, participar de um evento no interior do Brasil?

Ariano Suassuna: É uma alegria para mim, principalmente se for no interior de Minas, estado o qual eu diria que é um estado nação cultural, e tal qual pelo nordeste, tenho admiração profunda. O que eu amo no Brasil é essa imensa universidade cultural. Eu amo profundamente o país inteiro, mas se fosse pra escolher um outro estado fora do nordeste, seria Minas, porque é um estado que tem um peso visível na cultura Brasileira.
Eu citaria alguns episódios: Ouro Preto, como um todo, o santuário de Congonhas feito por Aleijadinho, a música barroca do século XVIII, João Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, que foram meus amigos. João Guimarães Rosa fez um poema sobre mim e me dedicou, uma beleza de poema começa assim: “Em tempo duro ou tranquilo, Riobaldo abraça João Grilo/ e já que a arte é vera e una,/ o Rosa abraça o Suassuna”.
Drummond escreveu as coisas mais compreensíveis e mais belas que eu já vi sobre meu romance a Pedra do Reino, éramos amigos fraternos além da grande admiração que eu tinha por ele, então essa identificação com Minas é muito antiga e forte em mim como o  nordeste e interior do nordeste, então uma feira feito no interior de Minas me agrada muito.

Jornal Infinita: Sabemos que essa sua paixão por Minas vai ser retratada no seu próximo livro. Como é que está a preparação desse livro que na verdade vai ser uma trilogia, como estão as escrituras e suas viagens por Minas?

Ariano Suassuna: Você vai perdoar, mas eu não vou responder sua pergunta não, porque eu recebi um pedido da minha editora no Rio, para não falar no livro, tá certo?!

Jornal Infinita: Nós podemos falar então da sua decisão de não adotar o novo acordo ortográfico?

Ariano Suassuna: Mas, como vocês descobrem isso?! que povo mais fofoqueiro! Olhe eu vou lhe dizer da minha vida como professor de Português: tá certo?! Eu estudei quatro reformas ortográficas, agora eu tô com 84 anos, mas perdi minha paciência, eu perdi minha paciência. Meu dever eu fiz. Hoje eu não sou mais professor de Português, mas a Língua Portuguesa é o meu material de trabalho. Eu sou um escritor e posso dizer sem nenhuma vanglória que eu conheço bem o Português do medieval, até hoje, eu estudei Latim. Então quando eu faço uma coisa que contraria a regra eu tô fazendo porque me é necessário, mas assim mesmo eu estudei todas as reformas, até que eu perdi a paciência, eu perdi a paciência no dia que abri uma enciclopédia e estava meu nome escrito com “ç”, olhe isso: Suassuna com ç não é nome de gente, parece nome de cobra, não é, Ariano Suassuna, com ç parece mais é marca de cobra! Aí eu fui conversar com Aurélio Buarque, que era meu amigo. Ele então me disso que nomes indígenas eram escritos com ç e Suassuna é indígena, então eu disse como é que você sabe, os índios nem linguagem escrita tinham, como é que você sabe que quando eles diziam Sua...ssu...na, aí era com ç? Como é que você sabe? Pois bem, mas ainda eu agüentei... mas aí começaram a escrever o nome de Euclydes da Cunha com “i”. ele escrevia com “y” e ninguém tem o direito de mudar o nome de uma pessoa. É uma propriedade da família e da pessoa. Então eu escrevi um artigo para a Folha de São Paulo, eu tinha escrito Euclydes da Cunha com y, quando eu vi, eles tinham corrigido, então escrevi um artigo para lá reclamando e dizendo,que não admitia isso não. Então agora eu escrevo como eu quero, tem hora que penso: a pontuação quem faz sou eu, colocação de hífen é uma coisa pessoal, minha. Pois bem, estão querendo com a difusão dos meios de comunicação de massa, adotar pronúncias inteiramente erradas e feias. O nome ileso, por exemplo, é [iléso], mas estão espalhando o pronúncia de [ilêso], não é ilêso, então eu escrevo iléso e boto um acento agudo. O dos outros podem ser [ilêso], mas o meu é iléso.
Ruben Alves: posso dizer uma coisinha:
Ariano Suassuna: Pode, deve!
Ruben Alves: eu tenho uma raiva dos gramáticos pela presunção de poder mudar a grafia dos nomes. Eu já perdi um livro por causa disso, pois eu escrevo estória e também história. Estória é aquela coisa que você conta e que nunca mais vai acontecer e história aquilo que acontece sempre. Guimarães Rosa na Tutaméia diz assim “a estória não quer saber de nada com a história.” Mas agora eu não posso mais escrever estória, se escrever eu tenho de colocar entre parêntese: revisor, não corrija é estória mesmo. Então os gramáticos não têm o direito de fazer isso. Você falando de colocar os acentos nas palavras, eu já fiz isso com a palavra “anu”. Eu botei anús com acento, disseram que não existia, mas eu boto o acento para não correr o risco das pessoas lerem ânus. Não é ânus é anús.

Jornal Infinita: As suas palestras costumam acontecer como aulas espetáculo, onde você relembra fatos, comenta sobre a atualidade e discorre sobre a Literatura.
Comente um pouco mais sobre essa atitude de ser um palestrante diferente.

Ariano Suassuna: Isso foi uma descoberta que eu fiz como professor. Eu fui professor desde os 17 anos até os 70, quando me aposentei. Eu continuo dando aula, hoje mesmo vou dar uma(se refere à palestra). Eu descobri que o professor tem que ter alguma coisa de ator, se não tiver ele não se comunica. Então eu organizei esse tipo de aula que eu chamei de aula espetáculo, porque mesmo depois, se a aula saiu ruim, eu posso dizer que dei uma aula que foi um espetáculo. Tá certo?! Eu levo sempre pra minhas aulas dançarinos, músicos, cantores, pois aí quando o professor tá muito tedioso eu peço pra cantar, pra dançar, mas é mais pra mostrar com exemplos concretos o que eu estou dizendo de forma cinzenta e teórica.

Jornal Infinita: Você criou o Movimento Armorial pra lutar contra a vulgarização e descaracterização da cultura, você acha que o movimento tem dado resultado?

Ariano Suassuna: Olhe, tem muita coisa contribuindo para melhorar. A coisa não tá boa não, mas tá melhor do que quando eu era jovem, quando o povo brasileiro tinha péssima opinião de si próprio e isso não é verdade. Nós vivemos num grande país e o nosso povo é um grande povo. Um povo que deu o santuário de Congonhas, o livro Grande Sertão Veredas, falando sobre nordeste o Sertões de Euclydes da Cunha. Então um povo desse, eu diria, tem o direito de levantar a cabeça para o mundo. Você diria um escultor nas Américas toda, fora o Brasil? Me mostre um escultor da qualidade de Aleijadinho? Me mostre um músico na qualidade de Villa Lobos, não é?
Isso está começando a aparecer, eu tô vendo inclusive a nossa juventude mais orgulhosa de seu país e de seu povo e isso se deve ao trabalho de todos esses grandes artistas, o Aleijadinho, Heitor Villa Lobos, Euclydes da Cunha, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade etc.

Jornal Infinita: Como professor de português o que o senhor fazia para motivar seus alunos a ler, a se apaixonar pela Literatura?

Ariano Suassuna: Eu fazia isso mais quando eu fui professor de Literatura Brasileira. Eu obrigava meus alunos a lerem e procurava chamar a atenção dos meus alunos para a importância dos nossos escritores. Eu vou lhe dar um exemplo: José de Alencar que é considerado um romancista pra adolescente e um romancista de segunda ordem. Costumam compará-lo com Machado de Assis,  exaltam o Machado e rebaixam José de Alencar, é uma injustiça! Machado de Assis é um altíssimo escritor, mas ele próprio se considerava discípulo de Alencar. Os romances urbanos de José de Alencar deram origem aos romances de Machado de Assis. Com isso eu não tô querendo dizer que ele era um escritor tão importante quanto Machado de Assis, mas ele é o escritor que é o fundador do romance brasileiro. Então você veja uma coisa, eu vou dizer só uma coisa: José de Alencar fez o romance procurando cobrir o tempo e o espaço do Brasil que ele conheceu. Ele pensou em escrever um poema épico em prosa chamado Os filhos de tupã, ele não chegou a escrever, mas os livros indianistas dele, Iracema, Ubirajara vêm daí, pois bem as cenas eram passadas na Amazônia, o Sertanejo era no Ceará, a Guerra dos mascates, no Pernambuco, As minas de prata na Bahia, o Tronco do ipê, no estado do Rio, o Gaúcho, no Rio Grande, ou seja, ele procurou cobrir o espaço brasileiro todo além de cobrir o tempo. Os filhos de tupã, na época do descobrimento, o Guarani, século XVI, XVII, As minas de prata, século XVII, a Guerra dos mascates, século XVIII e os romances urbanos são do século XIX, quer dizer ele tinha um plano, ele pensava o Brasil. Eu mostrava isso aos meus alunos.
Ruben Alves: eu que quero te dizer, tchau.
Ariano Suassuna: Tudo de bom meu amigo, Deus te abençoe! Deus te abençoe!
Ruben Alves: Deus te abençoe, também, eu te desejo vida longa e frutífera, porque ser longa sem ser frutífera não vale a pena.
Ariano Suassuna: as duas coisas.
Ruben Alves: vou entrar em contato.

Obs: Procurei reproduzir as falas dos escritores tais quais foram ditas por eles, para que os leitores sentissem –se também  familiarizados,  próximos deles, como eu estive e vejam que um grande escritor como é o caso dos dois citados, são pessoas comuns, simples, amigáveis... falam o bom português coloquial, embora saibam tudo de todos os portugueses.
Fabiana de Oliveira Ribeiro
 Ruben Alves, Ariano Suassuna e esposa


Ariano Suassuna ao vivo

O escritor pernanbucano Ariano Suassuna, entrou no teatro da Urca, em Poços de Caldas, aplaudido de pé pelas centenas de espectadores que o aguardavam e se retirou do local também ovacionado de pé pelo público, que ao longo de sua fala apresentava várias demonstrações de regozijo ao ouvir de um senhor de 83 anos de idade as mais diversas demonstrações de memória, sensibilidade, destreza com as palavras e simpatia.
Bem humorado, quebrou o cerimonialismo da ocasião satirizando sua entrevista para o Jornal da EPTV, poucos minutos antes e apresentado sua esposa, a quem namora desde 1947.
Ariano justificou que seu apreço pela cultura brasileira não quer dizer que deprecia a cultura estrangeira. Grato a Cervantes, Sheakespeare, Dostoievisk, por exemplo,  explica que é contra o lixo importado pelos meios de comunicação de massa. Usa-se a expressão “é isso que o povo gosta”, mas explica sua opinião contando uma parábola de um amigo chamado Capiva. Segundo Capiva cachorro gosta de osso, mas Ariano afirma que ele gosta de osso, porque ele só recebe osso. Segundo ele, é isso que tem acontecido ao povo Brasileiro, a TV não o deixa entrar em contato com o filé da cultura.
Acusado também de ser inimigo da modernidade, o escritor prova que não precisa de nenhum recurso moderno para realizar suas atividades, inclusive sua palestra, que foi uma das mais cativantes que já tive oportunidade de participar, seu principal recurso: a oratória, que faz de um simples improviso, um discurso, mesmo sendo gago e tendo sotaque nordestino e voz de taquara rachada, como ele próprio confessa, afim de tirar a força das críticas. Afirma que tem memória de “cachorro vingativo” e prova. Após declamar de Camões a Manuel Bandeira, com uma brilhante passagem por um sermão(todinho) de Vieira, a sensação que me tomou de mim mesma e, creio que a todos ali, foi a de total incapacidade mental. Fiquei com vergonha da minha péssima memória, em plenos 30 anos, que me dificulta a declamação de meus próprios poemas.
Ariano conta também que sua paixão pela língua nacional o levou aos 17 anos tornar-se professor da Língua, para entendê-la melhor estudou latim e dá trabalho para os editores mal informados ou formados. Afirma não ter muita imaginação, mas sim atenção às mínimas coisas. Sobre a substituição do livro no mundo moderno, pela tevê, por bandas de rock, por exemplo, diz que a banda até pode ter mais sucesso, mas Os Sertões, têm mais êxito, todo mundo sabe de sua importância, até quem não o leu.
Após aquelas quase duas horas de palestra, o meu sentimento foi, finalmente(após oito anos lecionando Literatura Brasileira e Português na escola) o de entender o que é realmente ser um imortal, um escritor como Ariano Suassuna, sequer envelhece. O simples contar de suas experiências cotidianas já são Literatura e, melhor, nos sentimos fazendo parte dela, um pouquinho imortais também.
Conhecer Ariano Suassuna, fez-me sentir que na simplicidade mora a sabedoria e que a arte mora a eternidade.

Fabiana de Oliveira Ribeiro