quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma família inusitada


Todos conhecem bem a rivalidade existente entre cães e gatos, entretanto, temos aqui uma história diferente e inspiradora. Esse cachorrão, com cara de mau, na foto acima é o Pitoco. Ele veio morar em nossa casa há um mês atrás. Estávamos em busca de um cão valente para proteger nosso sítio em Alterosa e que ajudasse no manejo com o gado, então encomendamos o Pitoco, descendente de um bacet e uma pincher.
Estávamos em pleno inverno de junho de 2011, a ausência da mãe e dos irmãos prometia muitas noites de choro, mas foi aí que nos surpreendemos.

Essa outra aí é a Mamãe Bichana, ela tem dois filhotinhos, quando ela conheceu o Pitoco, foi amor à primeira vista, ela o adotou. Deste dia em diante os quatro passaram a dormir juntos e logo o Pitoco relembrou o sabor do leite materno, passou a mamar na gata.


O espírito maternal falou mais alto que a rivalidade entre as espécies, talvez no futuro o cachorro possa vir a morder a gata ou apresentar-se uma ameaça para seus filhotes, mas eles se ajudam mesmo assim. Eles dormem, comem, tomam sol, brincam, vivem juntos. Os dois gatinhos nem ficaram enciumados em dividir a mãe com um intruso. Nessa relação não há preconceitos, não há disputas e embora as diferenças entre eles sejam grandes e históricas eles preferem manter o olhar na necessidade que um tem do outro e convivem em paz.
Diante disso nos perguntamos, será o humano um animal verdadeiramente racional? Nós deveríamos desenvolver mais nosso instinto de convivência e também mantermos o foco em o quanto o outro é importante para nós. Por mais que tenhamos diferenças, tenho certeza que elas não são maiores do que as existentes entre um cão e um gato, então por que não aprendemos com os animais a vivermos em paz?

Assista aos vídeos e confira

EPTV fazendo matéria sobre essa rara convivência lá em casa, no São Pedro:




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um homem centenário


Joaquim Claro Terra é o nome do homem mais velho de Alterosa, no dia 17 de outubro de 2011 ele completará 100 anos de vida, gozando de uma boa memória e planejando seu próximo século.
Um homem que assistiu às duas Grandes Guerras, lutou e venceu o câncer por três vezes, recuperou-se de uma perna quebrada recentemente e agora deseja começar uma nova vida após seu centésimo aniversário. Viúvo há 16 anos, fala em arrumar uma nova esposa e quem sabe mudar de casa.
Seu Joaquim Neca, como é conhecido, passou 80 anos de sua vida trabalhando no campo, no Bairro Pinhal, município de Alterosa, onde criou seus 15 filhos juntamente com sua esposa Olímpia Tomaz Terra, com quem teve um casamento feliz e chegou a completar bodas de prata, ouro e diamante.

BODAS DE DIAMANTE



TEREZA, SR. JOAQUIM E NETA EUZA
Sr. Joaquim orgulha-se de ser religioso, nunca ter dado mau exemplo para os filhos e de ser querido pelos trabalhadores que empregava em sua fazenda.  Afirma, ainda, que o segredo para sua longevidade está no feijão mexido com torresmo que comeu durante toda a vida, no entanto seu segredo talvez esteja no cumprimento do 5º Mandamento: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra, que o Senhor Deus te dá.” Êxodo 20:12, conforme relata sua 11ª filha, Tereza Tomaz Terra Martins, o Sr. Joaquim sempre foi um bom filho.  Sempre preocupado com os pais e um admirador do pai, Manuel Flávio Terra, sempre os honrou e respeitou, procurando fazer tudo que estava ao seu alcance para cuidar de seus progenitores. Um exemplo aconteceu quando seu pai passou a não conseguir mais cuidar de suas lavouras, então o Sr. Joaquim, que já tinha muito trabalho em suas próprias, passou a cuidar das de seu pai também, e mantinha sempre cheias as tulhas da família, afim de que não faltasse alimento na casa de seus pais.
Hoje seu Joaquim Neca é o único sobrevivente dos seus 14 irmãos, mora na cidade de Alterosa com sua neta Luciane Martins Terra, alimenta-se bem, inclusive pediu peixe para o almoço de hoje. Sua descendência já alcançou o número de 200 membros, entre os quais seis são tetranetos. Seu Joaquim é um guerreiro e campeão, pois chegar aos 100 anos de idade em tempos tão cheios de contratempos é uma maravilhosa vitória, ele é exemplo para todos, principalmente aos jovens, que muitas vezes são seduzidos por tantas ilusões e acabam esquecendo-se de cuidar de sua saúde e de honrar àqueles que lhes deram a oportunidade de viver. Esperamos que ao atentarmos para uma história de vida tão simples e bonita com essa, todos possamos repensar nossas atitudes e vida e valorizarmos aquilo que realmente é significativo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011


Sábado 18 de junho, a Igreja Assembléia de Deus em Alterosa comemorou o centenário da igreja no Brasil com um bonito culto de louvor na praça Benedito Valadares, com presença considerável de irmãos. Em Alterosa, a Igreja foi fundada em 1950, pelo saudoso Pastor José Alves Pereira.
A vida do Pastor “José Ernesto”, como era conhecido, foi marcada pela perseguição sofrida de pessoas que não aceitavam uma nova visão religiosa na cidade, no entanto seu amor ao próximo foi mais forte e aos poucos as pessoas foram sendo atraídas pela paz e testemunho de fé transmitido pelo pastor e foram se encantando com a mensagem de salvação que pregava.
Muitas histórias são contadas pelos membros mais antigos da igreja, como por exemplo, os baldes de água fria que alguns deles jogaram no Pastor José ou na sua esposa quando eles iam em suas casas convidar para os cultos; que as tábuas do assoalho da cadeia tinham manchas de seu sangue, consequências das surras que levava ao ser preso por pregar a Palavra e a mais bonita: quando sua esposa, doente, faleceu e enquanto todos se preparavam para o velório ele orou muito e ela voltou a vida.
Toda essa trajetória de fé implantou uma igreja forte, fiel, cujo principal objetivo tem sido honrar e engrandecer a Deus há várias gerações.
Atualmente a Assembléia de Deus do campo de Alterosa é vinculada a CGADB tendo sob sua responsabilidade 22 Congregações e 33 templos e pontos de pregação, sendo o Pastor Presidente do Campo o Pastor Mário Donizete Alves.
"A presença da Igreja Assembléia de Deus é uma benção de Deus para Alterosa, pois trata-se de um lugar onde Deus tem resgatado vidas das drogas,do alcoolismo,da prostituição e onde milagres inexplicáveis acontecem, refletindo do lado de fora".

Fabiana de Oliveira Ribeiro

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Futebol de casais


Foi muito interessante a primeira aula sobre  SOLIDARIEDADE, que é o tema da disciplna de Língua Portuguesa no Projeto Bulliyng não, paz sim, idealizado pela coordenação da Escola Bolivar Boanerges da Silveira. Os alunos foram instruídos a jogarem futebol em duplas(mãos dadas), em seguida um deles teve os olhos vendados e tiveram de ser orientados pelo colega em tudo, para continuar o jogo. 
A dinâmica sugere a nossa própria vida onde ou somos cuidados ou somos quem cuida e pudemos refletir bastante sobre as dificuldades que os dois lados apresentam e a importância de haver pessoas que ajudam o próximo.
Falando um pouco mais sobre o próximo, houve contação de história, também, sobre a Parábola do bom samaritano. Confesso que foi muito interessante para mim conduzir uma aula que saiu totalmente dos padrões de uma aula normal de Português, para o professor tamb´m é motivante variar, sair da rotina e também fiquei encantada com o comportamento dos alunos diante dessas atividades, pois todos expressaram com naturalidade seu lado humano, valorizaram e enriqueceram  muito o momento de reflexão.
Alunos participantes: 9ºC, 1ºA, 1ºC, 3ºB e 3ºC.
As fotos da aula estão no link abaixo:

ttps://picasaweb.google.com/102247749734725793875/ProfilePhotos?feat=directlink

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Entrevista com Ariano Suassuna com direito à participação de Ruben Alves

 
Jornal Infinita: Ariano, normalmente eventos como a Feira Do Livro de Poços de Caldas acontecem só nas capitais, como a Bienal, por exemplo gostaria de saber como é, para o senhor, participar de um evento no interior do Brasil?

Ariano Suassuna: É uma alegria para mim, principalmente se for no interior de Minas, estado o qual eu diria que é um estado nação cultural, e tal qual pelo nordeste, tenho admiração profunda. O que eu amo no Brasil é essa imensa universidade cultural. Eu amo profundamente o país inteiro, mas se fosse pra escolher um outro estado fora do nordeste, seria Minas, porque é um estado que tem um peso visível na cultura Brasileira.
Eu citaria alguns episódios: Ouro Preto, como um todo, o santuário de Congonhas feito por Aleijadinho, a música barroca do século XVIII, João Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, que foram meus amigos. João Guimarães Rosa fez um poema sobre mim e me dedicou, uma beleza de poema começa assim: “Em tempo duro ou tranquilo, Riobaldo abraça João Grilo/ e já que a arte é vera e una,/ o Rosa abraça o Suassuna”.
Drummond escreveu as coisas mais compreensíveis e mais belas que eu já vi sobre meu romance a Pedra do Reino, éramos amigos fraternos além da grande admiração que eu tinha por ele, então essa identificação com Minas é muito antiga e forte em mim como o  nordeste e interior do nordeste, então uma feira feito no interior de Minas me agrada muito.

Jornal Infinita: Sabemos que essa sua paixão por Minas vai ser retratada no seu próximo livro. Como é que está a preparação desse livro que na verdade vai ser uma trilogia, como estão as escrituras e suas viagens por Minas?

Ariano Suassuna: Você vai perdoar, mas eu não vou responder sua pergunta não, porque eu recebi um pedido da minha editora no Rio, para não falar no livro, tá certo?!

Jornal Infinita: Nós podemos falar então da sua decisão de não adotar o novo acordo ortográfico?

Ariano Suassuna: Mas, como vocês descobrem isso?! que povo mais fofoqueiro! Olhe eu vou lhe dizer da minha vida como professor de Português: tá certo?! Eu estudei quatro reformas ortográficas, agora eu tô com 84 anos, mas perdi minha paciência, eu perdi minha paciência. Meu dever eu fiz. Hoje eu não sou mais professor de Português, mas a Língua Portuguesa é o meu material de trabalho. Eu sou um escritor e posso dizer sem nenhuma vanglória que eu conheço bem o Português do medieval, até hoje, eu estudei Latim. Então quando eu faço uma coisa que contraria a regra eu tô fazendo porque me é necessário, mas assim mesmo eu estudei todas as reformas, até que eu perdi a paciência, eu perdi a paciência no dia que abri uma enciclopédia e estava meu nome escrito com “ç”, olhe isso: Suassuna com ç não é nome de gente, parece nome de cobra, não é, Ariano Suassuna, com ç parece mais é marca de cobra! Aí eu fui conversar com Aurélio Buarque, que era meu amigo. Ele então me disso que nomes indígenas eram escritos com ç e Suassuna é indígena, então eu disse como é que você sabe, os índios nem linguagem escrita tinham, como é que você sabe que quando eles diziam Sua...ssu...na, aí era com ç? Como é que você sabe? Pois bem, mas ainda eu agüentei... mas aí começaram a escrever o nome de Euclydes da Cunha com “i”. ele escrevia com “y” e ninguém tem o direito de mudar o nome de uma pessoa. É uma propriedade da família e da pessoa. Então eu escrevi um artigo para a Folha de São Paulo, eu tinha escrito Euclydes da Cunha com y, quando eu vi, eles tinham corrigido, então escrevi um artigo para lá reclamando e dizendo,que não admitia isso não. Então agora eu escrevo como eu quero, tem hora que penso: a pontuação quem faz sou eu, colocação de hífen é uma coisa pessoal, minha. Pois bem, estão querendo com a difusão dos meios de comunicação de massa, adotar pronúncias inteiramente erradas e feias. O nome ileso, por exemplo, é [iléso], mas estão espalhando o pronúncia de [ilêso], não é ilêso, então eu escrevo iléso e boto um acento agudo. O dos outros podem ser [ilêso], mas o meu é iléso.
Ruben Alves: posso dizer uma coisinha:
Ariano Suassuna: Pode, deve!
Ruben Alves: eu tenho uma raiva dos gramáticos pela presunção de poder mudar a grafia dos nomes. Eu já perdi um livro por causa disso, pois eu escrevo estória e também história. Estória é aquela coisa que você conta e que nunca mais vai acontecer e história aquilo que acontece sempre. Guimarães Rosa na Tutaméia diz assim “a estória não quer saber de nada com a história.” Mas agora eu não posso mais escrever estória, se escrever eu tenho de colocar entre parêntese: revisor, não corrija é estória mesmo. Então os gramáticos não têm o direito de fazer isso. Você falando de colocar os acentos nas palavras, eu já fiz isso com a palavra “anu”. Eu botei anús com acento, disseram que não existia, mas eu boto o acento para não correr o risco das pessoas lerem ânus. Não é ânus é anús.

Jornal Infinita: As suas palestras costumam acontecer como aulas espetáculo, onde você relembra fatos, comenta sobre a atualidade e discorre sobre a Literatura.
Comente um pouco mais sobre essa atitude de ser um palestrante diferente.

Ariano Suassuna: Isso foi uma descoberta que eu fiz como professor. Eu fui professor desde os 17 anos até os 70, quando me aposentei. Eu continuo dando aula, hoje mesmo vou dar uma(se refere à palestra). Eu descobri que o professor tem que ter alguma coisa de ator, se não tiver ele não se comunica. Então eu organizei esse tipo de aula que eu chamei de aula espetáculo, porque mesmo depois, se a aula saiu ruim, eu posso dizer que dei uma aula que foi um espetáculo. Tá certo?! Eu levo sempre pra minhas aulas dançarinos, músicos, cantores, pois aí quando o professor tá muito tedioso eu peço pra cantar, pra dançar, mas é mais pra mostrar com exemplos concretos o que eu estou dizendo de forma cinzenta e teórica.

Jornal Infinita: Você criou o Movimento Armorial pra lutar contra a vulgarização e descaracterização da cultura, você acha que o movimento tem dado resultado?

Ariano Suassuna: Olhe, tem muita coisa contribuindo para melhorar. A coisa não tá boa não, mas tá melhor do que quando eu era jovem, quando o povo brasileiro tinha péssima opinião de si próprio e isso não é verdade. Nós vivemos num grande país e o nosso povo é um grande povo. Um povo que deu o santuário de Congonhas, o livro Grande Sertão Veredas, falando sobre nordeste o Sertões de Euclydes da Cunha. Então um povo desse, eu diria, tem o direito de levantar a cabeça para o mundo. Você diria um escultor nas Américas toda, fora o Brasil? Me mostre um escultor da qualidade de Aleijadinho? Me mostre um músico na qualidade de Villa Lobos, não é?
Isso está começando a aparecer, eu tô vendo inclusive a nossa juventude mais orgulhosa de seu país e de seu povo e isso se deve ao trabalho de todos esses grandes artistas, o Aleijadinho, Heitor Villa Lobos, Euclydes da Cunha, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade etc.

Jornal Infinita: Como professor de português o que o senhor fazia para motivar seus alunos a ler, a se apaixonar pela Literatura?

Ariano Suassuna: Eu fazia isso mais quando eu fui professor de Literatura Brasileira. Eu obrigava meus alunos a lerem e procurava chamar a atenção dos meus alunos para a importância dos nossos escritores. Eu vou lhe dar um exemplo: José de Alencar que é considerado um romancista pra adolescente e um romancista de segunda ordem. Costumam compará-lo com Machado de Assis,  exaltam o Machado e rebaixam José de Alencar, é uma injustiça! Machado de Assis é um altíssimo escritor, mas ele próprio se considerava discípulo de Alencar. Os romances urbanos de José de Alencar deram origem aos romances de Machado de Assis. Com isso eu não tô querendo dizer que ele era um escritor tão importante quanto Machado de Assis, mas ele é o escritor que é o fundador do romance brasileiro. Então você veja uma coisa, eu vou dizer só uma coisa: José de Alencar fez o romance procurando cobrir o tempo e o espaço do Brasil que ele conheceu. Ele pensou em escrever um poema épico em prosa chamado Os filhos de tupã, ele não chegou a escrever, mas os livros indianistas dele, Iracema, Ubirajara vêm daí, pois bem as cenas eram passadas na Amazônia, o Sertanejo era no Ceará, a Guerra dos mascates, no Pernambuco, As minas de prata na Bahia, o Tronco do ipê, no estado do Rio, o Gaúcho, no Rio Grande, ou seja, ele procurou cobrir o espaço brasileiro todo além de cobrir o tempo. Os filhos de tupã, na época do descobrimento, o Guarani, século XVI, XVII, As minas de prata, século XVII, a Guerra dos mascates, século XVIII e os romances urbanos são do século XIX, quer dizer ele tinha um plano, ele pensava o Brasil. Eu mostrava isso aos meus alunos.
Ruben Alves: eu que quero te dizer, tchau.
Ariano Suassuna: Tudo de bom meu amigo, Deus te abençoe! Deus te abençoe!
Ruben Alves: Deus te abençoe, também, eu te desejo vida longa e frutífera, porque ser longa sem ser frutífera não vale a pena.
Ariano Suassuna: as duas coisas.
Ruben Alves: vou entrar em contato.

Obs: Procurei reproduzir as falas dos escritores tais quais foram ditas por eles, para que os leitores sentissem –se também  familiarizados,  próximos deles, como eu estive e vejam que um grande escritor como é o caso dos dois citados, são pessoas comuns, simples, amigáveis... falam o bom português coloquial, embora saibam tudo de todos os portugueses.
Fabiana de Oliveira Ribeiro
 Ruben Alves, Ariano Suassuna e esposa


Ariano Suassuna ao vivo

O escritor pernanbucano Ariano Suassuna, entrou no teatro da Urca, em Poços de Caldas, aplaudido de pé pelas centenas de espectadores que o aguardavam e se retirou do local também ovacionado de pé pelo público, que ao longo de sua fala apresentava várias demonstrações de regozijo ao ouvir de um senhor de 83 anos de idade as mais diversas demonstrações de memória, sensibilidade, destreza com as palavras e simpatia.
Bem humorado, quebrou o cerimonialismo da ocasião satirizando sua entrevista para o Jornal da EPTV, poucos minutos antes e apresentado sua esposa, a quem namora desde 1947.
Ariano justificou que seu apreço pela cultura brasileira não quer dizer que deprecia a cultura estrangeira. Grato a Cervantes, Sheakespeare, Dostoievisk, por exemplo,  explica que é contra o lixo importado pelos meios de comunicação de massa. Usa-se a expressão “é isso que o povo gosta”, mas explica sua opinião contando uma parábola de um amigo chamado Capiva. Segundo Capiva cachorro gosta de osso, mas Ariano afirma que ele gosta de osso, porque ele só recebe osso. Segundo ele, é isso que tem acontecido ao povo Brasileiro, a TV não o deixa entrar em contato com o filé da cultura.
Acusado também de ser inimigo da modernidade, o escritor prova que não precisa de nenhum recurso moderno para realizar suas atividades, inclusive sua palestra, que foi uma das mais cativantes que já tive oportunidade de participar, seu principal recurso: a oratória, que faz de um simples improviso, um discurso, mesmo sendo gago e tendo sotaque nordestino e voz de taquara rachada, como ele próprio confessa, afim de tirar a força das críticas. Afirma que tem memória de “cachorro vingativo” e prova. Após declamar de Camões a Manuel Bandeira, com uma brilhante passagem por um sermão(todinho) de Vieira, a sensação que me tomou de mim mesma e, creio que a todos ali, foi a de total incapacidade mental. Fiquei com vergonha da minha péssima memória, em plenos 30 anos, que me dificulta a declamação de meus próprios poemas.
Ariano conta também que sua paixão pela língua nacional o levou aos 17 anos tornar-se professor da Língua, para entendê-la melhor estudou latim e dá trabalho para os editores mal informados ou formados. Afirma não ter muita imaginação, mas sim atenção às mínimas coisas. Sobre a substituição do livro no mundo moderno, pela tevê, por bandas de rock, por exemplo, diz que a banda até pode ter mais sucesso, mas Os Sertões, têm mais êxito, todo mundo sabe de sua importância, até quem não o leu.
Após aquelas quase duas horas de palestra, o meu sentimento foi, finalmente(após oito anos lecionando Literatura Brasileira e Português na escola) o de entender o que é realmente ser um imortal, um escritor como Ariano Suassuna, sequer envelhece. O simples contar de suas experiências cotidianas já são Literatura e, melhor, nos sentimos fazendo parte dela, um pouquinho imortais também.
Conhecer Ariano Suassuna, fez-me sentir que na simplicidade mora a sabedoria e que a arte mora a eternidade.

Fabiana de Oliveira Ribeiro




sábado, 14 de maio de 2011

Bate papo com o dono da voz do Bob Esponja, na Flipoços 2011

Durante o 1º encontro de Manga e Anime que aconteceu no último dia da Feira do Livro em Poços de Caldas, ouve um bate papo com o dublador Wendell Bezerra que, além de divertir os adolescentes que tomaram quase todo o teatro da Urca, fez importantes considerações sobre o papel da tradução e censura.


Com 36 anos de idade, o paulistano, advogado Wendell Bezerra atua na área desde os oito anos de idade. Também dirige a dublagem de séries e filmes e tem uma escola para dubladores. Tem quatro irmãos, dos quais dois também seguem a carreira de dublador, Ulisses e Úrsula Bezerra.


Entre seus trabalhos mais famosos estão a dublagem de
Goku (anime Dragon Ball Z), Bob Esponja (desenho Bob Esponja Calça Quadrada) e Kenji Narukami/Ryukendo (tokusatsu Madan Senki Ryukendo). Entre os atores que dubla estão Edward Norton, Brendan Fraser, Corey Haim, Leonardo DiCaprio e Robert Pattinson ( filmes Crepúsculo e Lua Nova ).


Wendell começou a trabalhar com quatro anos estreando numa peça de teatro de
Bibi Ferreira, A Gota D'Agua. Segundo ele, sua experiência como ator é fundamental na hora de incorporar os papéis que dubla, pois desenvolver sua sensibilidade e percepção. Na verdade o dublar é também ser ator, afirmou Wendell. O primeiro personagem que dublou foi Jayme em Super Vicky. Sua primeira dublagem em séries japonesas foi no Jaspion, dublando personagens secundários.


Wendell criticou, ainda, a censura adotada por muitas empresas de dublagem, que muitas vezes não são fieis aos textos originais, maquiando e, muitas vezes, descaracterizando a obra. Falou, também, sobre a carreira de dublagem que está em alta no mercado, pois, cada vez mais, aumenta o número de pessoas que preferem cinema e documentários na nossa própria língua, inclusive nos canais pagos, sem falar no advento do DVD. Esse aumento na procura de programações dubladas deve-se a trivialidade que o inglês( principalmente) chegou atualmente.


Ele ainda dá uma dica para quem quer aprender a usar melhor sua voz. Segundo o célebre dublador, a leitura em voz alta é o melhor exercício para treinar a dicção lembrando sempre de respirar só nas pontuações. Para cuidar da voz, evitar o chocolate e dormir bastante.


Caso queira conferir o áudio desse bate-papo, que conta ainda com diálogos entre seus principais personagens acesse:

audio da palestra:
http://www.4shared.com/audio/ERTmsI4B/wendell_bezerra.html






Fabiana de Oliveira Ribeiro

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fala de Ruben Alves

 O educador, teólogo, psicanalista, escritor e mineiro Ruben Alves, que na edição anterior foi patrono da Feira do Livro em Poços de Caldas, este ano retorna à cidade para novamente maravilhar seus leitores. No dia 6 de maio, o teatro da Urca em sua capacidade máxima homenageou o escritor através da coreografia de alunas que fazem parte do grupo A Voz do Silêncio(três delas deficientes auditivas) sob o som da música Velha Infância e Trio Vocal composto por alunas da Escola Estadual Parque das Nações, que interpretaram as belíssimas músicas gospel: Acredite(Jamili) e Fiel a mim(Eyshila).
O tema da fala de Ruben foi O tempo e a eterna idade, título de um de seus livros e para adentrar no assunto, o escritor aproveitou o gancho criado pela apresentação do grupo A voz do Silêncio para dizer que também é um deficiente auditivo, o tempo  deixou-o assim, não usa aparelho por desconforto. É deficiente visual, usa óculos e uma lupa para procurar palavras no dicionário e ao ver a agilidade dos movimentos coreográficos, das meninas, também concluiu que tem deficiência de pernas. Como suas pernas doem para fazer movimentos comuns aos jovens... a idade trás o tempo das bengalas.
Após ilustrar sua fala ao contar algumas de suas histórias escritas como os Gato que gostava de cenoura, o Patinho que não aprendeu a voar, A menina e o pássaro encantado, Pinóquio às avessas, sua versão para Os três porquinhos e outras vividas, concluiu que o belo vive dentro de nós. A partir do momento que nascemos vamos perdendo dentro de nós mesmos essa beleza, mas ao encontrar com outras coisas belas que existem exteriormente como a arte, por exemplo, algo vibra lá dentro do nosso interior.  A esse vibrar chamamos emoção. A nossa vida é uma busca pela beleza perdida.
Para ele a velhice é o preparar para a despedida. Não deixamos de prestar atenção nas coisas por falta de memória, mas por que nossos olhos procuram outras coisas e nós vamos distanciando nos de tudo. Aliás, contou que numa entrevista que participou o entrevistador  perguntou o porquê de as crianças serem mais inteligentes que os adultos. Na hora, confessou ele, “fiquei sem resposta, mas ela é muito simples, é que as crianças ainda não frequentaram a escola... não estou culpando os professores” concertou.
Quanto á adolescência e juventude o conselho que deu foi este: não adianta ficar falando muito na cabeça dos filhos nem ser bravo, o que os pais  têm a fazer é ficarem por perto para catar os cacos quando o desastre acontecer. Por isso escreveu  O patinho que não aprendeu a voar para comunicar com seu filho, de outra forma, a única que talvez ele lhe desse ouvidos: a literatura. Se o adulto ficar dando conselhos apenas, irão formar adultos quadrados apenas, pois é com a passagem do tempo que cada um de nós vai se encontrar, contudo, às  vezes, não nos encontramos. O jeito que eu tenho para ensinar algo aos jovens é a literatura, afirmou Ruben Alves que foi ovacionado pela platéia.

 Áudio completo da palestra: http://www.4shared.com/audio/hXnPJncq/Ruben_Alves_audio.html




conversa com Ruben Alves momentos antes da entrevist pela EPTV








ele parece ter ficado bravo quando perguntei por que ele deixou de ser pastor...


Minutos antes da palestra no Teatro da Urca


Ruben prestes a exigir um selinho da Gisele da GSC Eventos


homenagem de A Voz do Silêncio






Vocal composto por alunas da Escola Estadual Parque das Nações, que interpretaram as belíssimas músicas gospel: Acredite(Jamili) e Fiel a mim(Eyshila).




Ruben Alves assintindo nós entrevistarmos o Ariano Suassuna no Hotel Minas Gerais






Entrevista concedida por Ruben Alves

Por que à medida que crescemos deixamos de amar sem restrições?
Eu não sei deixamos de amar sem restrições ou se acende dentro de nós o desconfiômetro, porque os apaixonados(falo de experiência própria, sou muito apaixonado) e quando estamos assim, somos dominados por uma idiotisse de que toda a paixão é eterna, mas não é, pois na verdade não estamos amando a pessoa, estamos amando uma fantasia que fazemos da pessoa. Quando crescemos vamos separando a pessoa da fantasia, a fantasia a gente continua com ela, mas a pessoa não, então saímos à procura de outra pessoa que se pareça mais com nossas fantasias.
 Já que estamos falando de amor vou citar um versinho de Fernando Pessoa: “Quando te vi amei-te já muito antes./Tornei a achar-te quando te encontrei.” É a mesma coisa que falei para vocês na palestra, a pessoa amada já estava dentro de mim, mas havia perdido, mas ao ver, tornei a amar.

Todos nós que somos pais e educadores ficamos perplexos ao ver como os jovens desperdiçam o tempo que é uma preciosidade e por isso são carentes, desestimulados, não sabem lutar por seus sonhos, se é que tais sonhos ainda existam. Como agir a esse desafio? Quais sugestões?
Eu lamento muito. Reconheço o problema que muitos enfrentam, mas eu não sei o que fazer, porque eu não soube nem o que  fazer com meus filhos. O Taoísmo é uma filosofia oriental de grande sabedoria e tem como um dos  seus princípios centrais o Wu Wei:  não-ação. Este conceito é o não fazer nada, não agir¹. Um exemplo é o voo do urubu , urubu bate asa? Raramente, eu acho fantástico o voo do urubu, ele abre as asas deixando –se levar pelo vento, ele não pode soprar o vento, mas fica pairando nas nuvens com suas asas abertas. Eu acho que lidar com os filhos é assim, não adianta nada ficar bravo, gritar, ser um velho quadrado. Não adianta dar conselhos aos filhos. Eles não ouvem, é com a passagem do tempo que eles se encontram, por vezes. Por vezes eles não se encontram. Eu não sei o que fazer. O jeito que eu tenho de ajudar as crianças é com a literatura. Os jovens gostam muito do que escrevo, pois eu uso metáforas, imagens, histórias e eu escrevo curtinho. Os professores têm a mania terrível de fichamento, que é uma violência insuportável e outra coisa que até hoje ninguém me  explicou é para que serve a análise sintática. Ficam perdendo tempo com coisas que não são importantes na escola e não dá tempo de ensinar o que é preciso. Por isso escrevo curtinho, se derem um  livro de 150 páginas para um adolescente que nunca leu, ele nunca vai ler.
Quando morei nos EUA, eu fui numa casa e fiquei assombrado com o papel higiênico que eles usavam. Em cada folha do papel higiênico vinham escritas frases filosóficas, eu queria sugerir isso para as fábricas de papel higiênico: use papel higiênico tal, que faz você inteligente, pois, às vezes, é o mínimo esforço o que desperta. Não é pelo muito falar que serei ouvidos, isso foi Jesus que falou, então falar pouquinho, ou não falar nada. Ficar só olhando. Fazer nada: Essa é a filosofia do urubu.

Existe na biblioteca do Vaticano, no teto, uma pintura que mostra a biblioteca de Alexandria. De um lado está Platão com seus discípulos olhando para o céu, de outro lado está Aristóteles olhando para o chão. Hoje vivemos um momento em que a humanidade olha muito para o chão e a gente tem de olhar um pouco para o céu, mas como fazer isso sem usar  a fórmula gasta que já está ultrapassada, como buscamos a fórmula nova sempre foi dita e que não aprendemos, como fazer isso?
Acho que não existe nenhuma receita, se eu respondesse sua pergunta eu admitiria que saberia a resposta. Há  uma  Parábola  de Jesus que diz que o semeador saiu a semear, algumas sementes caíram nas pedras, outras na terra seca, mas algumas caíram na terra fértil e deram muito fruto. Acho que essa parábola se aplica a nós. Nós vamos jogando as sementes na esperança, na esperança(reforçou) que algumas germinem. Não há receita.

 O senhor como poeta acredita que dentro de um coração de um adulto existe uma criança e acha que ela pode reviver um dia?
Existe nessa fala um romantismo, é isso que vamos encontrar nos filósofos mais inteligentes. Um deles e Nietzsche, que viveu no século XVI, que dizia que a única coisa que Deus faz é brincar. Nós éramos crianças enquanto sabíamos brincar  e perdemos o paraíso quando começamos a ficar sérios. Dizia que atingimos o maior grau de  nosso desenvolvimento quando adquirimos o grau de seriedade que as crianças têm ao brincar. A mesma coisa com Grout, um dos pais da psicanálise. Ele diz que  a tarefa do intelectual é ensinar pelas suas piadas e provocar riso pelos seus pensamentos. Fernando pessoa diz que quando tirarem todas as suas máscaras só vai sobrar uma criança, durante a vida inteira só foi uma criança a brincar, vemos isso em Alberto Caeiro. Acho que tenho um espírito de moleque de criança, gosto de brincar, mas tenho um lado adulto que não me deixa brincar direito. As escolas não cuidam de dar... uma educadora que morava numa cidade do  interior de São Paulo, tinha três filhos, mais ou menos da mesma idade. Foi visitar as escolas para saber em qual delas matricular os filhos. Quando chegava nas escolas todas eram a mesma coisa, recebiam-na e iam mostrar as coisas fantásticas da escola,  a quadra poliesportiva, os laboratórios e voltavam para a sala à espera da sua reação. Ela dizia que estava impressionada com a qualidade da escola, mas estava preocupada com duas coisas:  a vida hoje é muito feroz principalmente por causa do mercado de trabalho e gostaria de saber se a escola está preparando as crianças. A diretora então respondia que ali apertavam as crianças ao máximo para que elas possam vencer essa competição. Outra pergunta da mãe era se as crianças iam à escola só em um período o que as crianças fariam no outro período? A diretora respondia que elas recebiam tanto dever de casa que passam o período inteiro trabalhando. A educadora então dizia que era contra apertarem as crianças. No tempo livre acho que elas deveriam brincar. Então foi procurando em todas as escolas, até numa cidadezinha encontrar uma escola de quinta categoria, cujo diretor se preocupava com apenas duas coisas: que os alunos aprendessem  a ler e a escrever. A mãe matriculou os filhos na escola desse diretor.
A coisa mais importante é aprender a ler e escrever, porque a besteirada que se ensina ou que tentam ensinar na escola hoje é uma coisa a assombrosa, eu não sei por que os professores não fazem uma greve, não é possível, não é possível(insistiu) se ensinar  análise  sintática com tanta coisa importante para ser feito. Como coisas da casa da gente. O fato é o seguinte: saímos da escola onde estudamos física, química, o diabo a quatro, mas não aprendemos a resolver os problemas da casa da gente

Quando você está escrevendo de onde vêm suas inspirações?
Não sei! Não é bem assim, quando estou escrevendo é que vem a inspiração, quando estou andando de carro, de repente a idéia vem, às vezes vem quando estou no banheiro.... hoje mesmo vieram umas ideias, que eu já esqueci quais eram, por isso é importante andar com um caderninho para não esquecer. É de repente que vem a inspiração.

Qual mensagem o senhor deixaria para seus leitores?
Não vou deixar mensagem, não sou mais pastor. Quem dá mensagem é pastor.

Por que o senhor não é mais pastor?
Por que não há liberdade.

Como a literatura influenciou sua juventude?
Não influenciou, infelizmente, só fui conhecê-la de verdade aos 40 anos.

¹:. O que o Taoísmo chama de não-ação é, na verdade, uma ação sem intenção, uma ação não intencional. É uma ação que não pressupõem intenção, mas, nem por isso, não representa o não agir. Ou seja, não-ação significa realizar as coisas com naturalidade, sem engenhosidade, sem excesso de predeterminação, sem especulação.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

VI Feira do Livro e Flipoços 2011

                                 
 VI Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas foi um sucesso, essa foi a sensação que todos os visitantes, palestrantes, escritores, editoras, organizadores e a imprensa tiveram ao seu fim. A programação teve início em 30 de abril e foi até 8 de maio, no Espaço Cultural da Urca, contando com a presença de escritores renomados como Ariano Suassuna, Ruben Alves, Tatiana Belinky, Inácio de Loyola Brandão entre outros e esbanjou em criatividade e variedade de atrações culturais.
Durante a semana de programações, as milhares de pessoas que visitaram a Feira puderam, verdadeiramente, sentir a magia dos livros. Com atividades variadas, atendendo a todos os gostos literários, crianças, jovens e adultos puderam além de encontrar nos estandes das 70 editoras e livrarias presentes, seus livros de interesse, puderam, também, participar de palestras, bate-papos e contação de histórias. Sem falar do privilégio de tirar uma foto ou pegar um autógrafo do seu escritor  preferido.
As várias formas de linguagem tiveram espaço garantido, inclusive a Literatura de cordel, O Manga, a MPB, o Hip Hop, a literatura fantástica e discussões como no Ciclo de Educação e  cursos como Escola de Escritor   e o Ciclo Gastronomia.
Além de gerar grande movimentação econômica, beneficiando, sobretudo, o setor de serviços, gerando empregos e contribuindo com a educação, informação e cultura da sociedade poços-caldense e sul mineira, a Feira do Livro também demonstra responsabilidade social. Só na versão 2011, foram arrecadados mais de 8 mil livros de literatura, os quais serão doados a bibliotecas, escolas públicas, presídios, entidades filantrópicas e sociais de Poços de Caldas e região.
Segundo Gisele Correia Ferreira, organizadora do evento, as maiores dificuldades enfrentadas na organização da VI Feira do Livro, foram a falta de patrocínios, o espaço físico disponível e a divulgação do evento. No entanto, as limitações não foram capazes de impedir que o decorrer de toda a programação acontecesse com excelência. Gisele,  que já está pensando na próxima Feira, que acontecerá de 28 de abril a 6 de maio de 2012, promete surpresas ainda maiores para 2012.
O evento foi realizado pela GSC Eventos Especiais, empresa com 22 anos de atuação e considerada uma das mais importantes agências de eventos do estado de Minas Gerais, que já conta com uma agenda repleta de outros eventos de igual magnitude para a nossa região, como: o Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas(25 a 27 de maio), Poços de Caldas Jazz e Blues Festival(7 a 10 de julho), o Leite Queijo & Cia(22 a 24 de setembro), o Natal Artesanal, Prêmio Maiores e Melhores e Poços Classic Car(6 e 7 de agosto). Acompanhe as datas e demais informações sobre os eventos pelo site: www.gseventos.com.br.
A Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas e Flipoços – Festival Literário de Poços de Caldas são eventos de vanguarda e que têm colocado Poços de Caldas em destaque nacional além de promoverem a região do sul de Minas. Parabéns, aos autores da iniciativa!
Fabiana de Oliveira Ribeiro

sábado, 16 de abril de 2011

PUBLICADO NA FOLHA REGIONAL:
Aluna da Escola E. Bolivar Boanerges da Silveira tem texto lançado na Bienal do livro 2010

A aluna Rosemeire Aparecida Albano foi uma dos 130 alunos que participaram do Projeto Ler é Bom! Experimente! Aplicado aos alunos dos 3ºs anos B, C e 9º A da EEBBS em Alterosa MG.
O projeto foi realizado com os alunos como forma de despertar o interesse e gosto pela leitura, já que até nas classes de 3º ano foi possível identificar alunos que nunca leram sequer um livro inteiro. Isso é absurdo!
Diante do desinteresse geral dos jovens inscrevi a escola no já citado projeto do escritor Laé de Souza, logo recebemos material para realização das oficinas de leitura e a doação de 130 livros que enriqueceram bastante o acervo da biblioteca escolar.
A princípio os alunos apresentaram certa resistência  às oficinas, mas aos poucos foram descobrindo o sabor da leitura e passaram a apreciar os textos lidos e conscientizarem de que não é possível aprender a gramática normativa se não há domínio de interpretação e produção textual e que aquela existe em função desses conforme nos orienta o Conteúdo Básico Comum e a prática do ensino da língua.
Após as oficinas os alunos redigiram um intertexto das crônicas lidas que foram enviadas a um concurso promovido pela fundação de Laé de Souza que selecionaria os 50 melhores textos para serem publicados numa coletânea.
Participaram alunos de todo o Brasil e a crônica Dentinho da aluna Rosemeire foi uma das selecionadas e publicadas no livro juntamente com textos de Laé de Souza e Luiz Fernando Veríssimo, tendo lançamento na Bienal 2010. Apenas dois alunos de Minas Gerais foram escolhidos.
Ter um texto publicado já durante o ensino médio é um importante enriquecedor do currículo tanto para o mercado de trabalho, quanto para a iniciação à pesquisa numa universidade, ainda mais quando se tem um trabalho publicado ao lado de grandes nomes. Essa foi uma das oportunidades que pude dar aos meus alunos em 2010.

PROJETO JORNAL NA ESCOLA
Alunos ativos

”A leitura torna o homem completo; a conversação torna-o ágil; e o escrever dá-lhe precisão.”



1. IDENTIFICAÇÃO:

PROFESSOR RESPONSÁVEL: Fabiana de Oliveira Ribeiro

DISCIPLINA: Língua Portuguesa

TÍTULO: PROJETO JORNAL NA ESCOLA - Alunos ativos

DURAÇÃO:  de 15 de abril a 15 de dezembro de 2011.

LOCALIZAÇÃO: Escola E. Bolívar Boanerges da Silveira, Alterosa, MG

EXECUÇÃO: Professora Fabiana de Oliveira Ribeiro e alunos dos  3ºs anos “B” , “C” , 1ºs anos “A” e “C”

APOIO: comércio local e pedagoga Catarina, bibliotecárias

PÚBLICO ALVO: alunos dos 3 ºs anos “B”, “C” e 1º anos “A”, “B”

PROBLEMATIZAÇÃO: Desinteresse pela leitura e escrita, dificuldade de redação de textos diversos, reconhecimento e interpretação de gêneros textuais variados.

2. JUSTIFICATIVA:

A edição de um jornal escolar oferece reflexões sobre práticas escolares de produção de texto. Conforme Possenti(1996) comentado por Antunes(2007), “‘o dia em que as escolas se dessem conta de que estão ensinando aos alunos o que eles já sabem, e que em grande parte falta tempo para ensinar o que eles não sabem, poderia ocorrer uma verdadeira revolução (...) Sobrariam apenas coisas inteligentes para fazer na aula, como ler e escrever, discutir e reescrever, reler e reescrever mais, para escrever e ler de forma sempre mais sofisticada etc.’ Enquanto não nos dermos conta desses princípios – tão simples! – nossos alunos(e muitos de nós!) vão continuar sem se apaixonar pela língua, com dificuldades de leitura e produção de textos; e, nós, vamos continuar nos queixando de que eles não sabem amar a língua, não sabem ler, não se interessam, têm dificuldade  de entender o que lêem, escrevem bobagens.” Diante disso é urgente que as aulas de línguas passem da teoria para a prática, mas não só a prática da escrita ou leitura: à pratica de uma postura crítica  que manifeste ideologias. O jornal, nesse contexto, é um suporte que oferece tal possibilidade, além de despertar interesse dos alunos e oportunidade de publicação de seus textos enriquecendo, assim, seus currículos.   
Cabe lembrar que, na edição e redação de um jornal é possível cumprir várias das orientações do Conteúdo Básico Comum(CBC) como o contexto de produção, circulação e recepção de textos; situações comunicativas; suporte de circulação do texto; localização do texto dentro do suporte; silhueta dos textos;  pacto de recepção do texto (ficcional x não-ficcional; domínio discursivo; interação textual e função socio-comunicativa de cada gênero; situações sociais de uso do texto/ gênero;  variedades linguísticas (dialetais e de registro;  organização temática (ou tópica) do texto; uso de diferentes suportes textuais, produtiva e autonomamente; além do  uso da informática como instrumento de ensino- aprendizagem.

3. OBJETIVO GERAL:

Expressar-se por escrito, conforme solicitação do momento, de forma clara, precisa, coesa, coerente e relevante.

4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

•Despertar o interesse e hábito de leitura;
•Desenvolver habilidades de comunicação escrita;
•Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso;
•Conhecer o conjunto de conhecimentos pragmáticos, discursivos, semânticos e formais envolvidos no uso da língua;
•Compreender o texto literário como lugar de manifestação de ideologias;
•Desenvolver espírito de coletividade;
•Desenvolver potencialidades criativas;
•Estimular a imaginação;
•Obedecer a regras;
•Ler e entender um texto, de qualquer dimensão, de qualquer tipo ou gênero;
•Compreender e produzir textos, considerando o contexto de produção, circulação e recepção;
•Compreender e usar, produtiva e autonomamente, mecanismos de modalização e argumentatividade em textos de diferentes gêneros;
•Posicionar-se criticamente frente a posicionamentos enunciativos de textos;
•Compreender e produzir textos, considerando os efeitos de sentido de relações intertextuais com outros textos, discursos, produtos culturais e linguagens;
•Reconhecer o gênero do texto;
•Compreender a organização temática de textos de diferentes gêneros;
•Produzir textos com organização temática adequada ao contexto de produção, aos objetivos do produtor e ao tema;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, focos narrativos adequados ao efeito de sentido pretendido;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, as fases ou etapas do discurso narrativo na compreensão e produção de textos;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, estratégias de ordenação temporal nos diferentes discursos;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, mecanismos de coesão verbal nos textos;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, mecanismos de textualização dos discursos citados ou reportados em textos;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, mecanismos de coesão nominal;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, as fases ou etapas do relato noticioso, na compreensão e produção de notícias e reportagens;
•Integrar informação verbal e não-verbal na compreensão global do relato noticioso;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, marcas lingüísticas e gráficas de conexão textual nos discursos;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, no discurso descritivo, mecanismos de focalização
adequados ao efeito de sentido pretendido;
•Produzir textos considerando os objetivos ( para quê) e o interlocutor ( para quem);
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, no discurso expositivo e argumentativo, mecanismos de focalização adequados ao efeito de sentido pretendido;
•Reconhecer e usar, produtiva e autonomamente, mecanismos de textualização dos discursos citados ou
•Reconhecer que as formas lingüísticas (palavras, sintagmas ou frases) podem ter sentidos diferentes, dependendo da situação comunicativa e dos objetivos da interação;
•Reconhecer que, no uso da língua, realizamos atos de linguagem(declarar, afirmar, negar, perguntar, pedir, ordenar, avisar, informar, convencer, persuadir, amedrontar, ameaçar, prometer...), que integram o sentido de enunciados e textos;
•Reconhecer que o sentido não está apenas nas formas lingüísticas, mas na interação que relaciona usuários, formas, situação comunicativa e contexto;
•Reconhecer diferentes objetivos de leitura em um jornal (informação, conhecimento, entretenimento), considerando a organização desse suporte;
•Inferir o público-alvo do jornal ou partes do jornal ( cadernos, suplementos, seções, colunas), considerando o projeto gráfico, os temas abordados, os gêneros e domínios discursivos, os pactos e finalidades de leitura;
•Reconhecer o jornal como espaço privilegiado de circulação de neologismos e variedades lingüísticas;
•Posicionar-se criticamente frente à importância atribuída por um jornal a determinadas matérias;
•Avaliar criticamente o grau de objetividade e credibilidade de um jornal;
•Relacionar linha editorial, público leitor e tratamento ideológico-linguístico da informação em jornais.

5. DESENVOLVIMENTO:

1ª Etapa: desafiar os alunos a partir da exposição da proposta de trabalho, encorajando-os e despertando-os para as múltiplas possibilidades de aprendizado que poderíamos todos ter ao editar um jornal na escola;
2ª Etapa: Escolha de um líder de turma e orientador, redação dos textos e busca de parcerias na sociedade;
3ª Etapa: Escolha de um nome e montagem do jornal com os  textos dos alunos;
4ª Etapa: envio à gráfica e distribuição para a comunidade escolar.

6. AVALIAÇÃO:
O professor observará o comprometimento, participação efetiva, empenho, criatividade e esforço dos alunos em contribuir para o jornal.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS:
A função central da linguagem é promover os chamados atos linguísticos, nos quais usamos a linguagem para comunicar, expressar, convencer, descrever, opinar, etc, marcando assim, nossa posição social dentro do contexto cultural e situacional em que nos encontramos. Segundo Gnerre, tais atos linguísticos são regidos por regras que estabelecem não apenas sua validade como também o seu valor, pois é a observação ou não dessas regras que estabelecem a interação social entre falante e ouvinte. Uma vez que nem todos os indivíduos têm o mesmo nível de conhecimento a respeito dessas regras, os grupos com maior domínio acabam recebendo um maior prestígio social e determinando assim a variedade considerada “culta” ou “padrão, imprimindo  as marcas de poder da sociedade. A escola tem o papel de propiciar a todo o indivíduo o domínio de sua língua, para amenizar essas desigualdades, mas como, se muitas vezes as escolas são tão despreparadas e desinteressantes eu não conseguem sequer influenciar as pessoas? Como ensinar a língua se as aulas de Língua Portuguesa restringem-se numa pequena parte de seu todo, geralmente a gramática?
Na tentativa de mudar essa tradicional realidade, a utilização do jornal na sala de aula é uma técnica reconhecida por auxiliar na aquisição da linguagem, na ampliação do vocabulário, na capacidade de analisar discursos e na própria inserção do aluno, como cidadão, na sociedade, além de predispô-lo favoravelmente à leitura de livros. A produção de um periódico ensina a ler e escrever, de maneira crítica, das manchetes aos suplementos, da economia à cultura, da política ao cotidiano. Explica o modo como ele é preparado, e mostra como sua leitura crítica pode transformar as aulas numa atividade divertida e proveitosa.
Ao produzir um jornal em sala de aula, não se deve valorizar demais o produto final, pois dificilmente ele será parecido com os modelos conhecidos, no entanto quão importante é seu processo de produção que estimula o uso de diferentes gêneros textuais de imprensa (artigo, reportagem, fotojornalismo); diferentes funções e níveis de linguagem presentes nos jornais; noções gramaticais diversas; recursos de pesquisa, do trabalho coletivo e interdisciplinar; estratégias que ajudem a firmar a identidade dos alunos.
O jornal serve para o professor estimular os alunos a escrever, a argumentar, a trabalhar em grupo, entre outras questões.


9. BIBLIOGRAFIA:

FARIA, Maria Alice. Como usar o jornal na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1996.
FARIA, Maria Alice. O jornal na sala de aula. São Paulo: Contexto,1989.
FARIA, Maria Alice, ZANCHETA JÚNIOR, Juvenal. Para ler e fazer o jornal na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2002.
GNERRE, Maurizzio. Linguagem, escrita e poder. São Paulo: Martins Fontes, 1985.
ANTUNES, Irandé. Muito além da gramática.  São Paulo, 2007.
NOBLAT, Ricardo. A arte de fazer um jornal diário. São Paulo: Contexto, 2003. (Comunicação).
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MINAS GERAIS. Conteúdo Básico Comum – Português (2005). Educação Básica - Ensino Médio.